Turbay, do terno impecável ao nome de estádio

Vista parcial do estádio Albino Turbay, de Cianorte (Foto = Panorâmio)

Uma pequena história sobre uma grande figura que nomina o estádio de futebol de Cianorte, Albino Gabriel Turbay. O texto é do advogado cianortense Alberto Alves Rocha, que através de sua história pessoal compartilha com os leitores do Sinaleiro, essa escrita com cara de poesia.


“Eu o conheci lá pelos meados década de 60, quando ainda morava em Terra Boa e tínhamos uma certa disputa bairrista com Cianorte, especialmente no futebol de salão. Certa feita viemos jogar aqui, eu pelo Colégio Estadual de Terra Boa, ele como técnico, diretor, massagista – tudo que imaginarem – do extinto Colégio La Salle, uma das grandes instituições de ensino da Cidade, na época.

Era, no entanto, e sempre foi, uma figura extremamente simpática. Nestas ocasiões – práticas desportivas – eram os únicos momentos em que ele se permitia despir seus indefectíveis ternos e usar alguma indumentária mais à vontade. E lá ficava ele dando ordens por todos os lados: fechem as laterais, atenção no pivô, fecha o meio, e por aí vai…

Naquela época a nomenclatura era diferente, o futebol de salão recém criado, não existia esse negócio de ala, era lateral mesmo. O Pedrinho Siquieri (é Siquieri mesmo), grande atleta, era nosso técnico… Pois bem: alguns anos após – 2 ou 3 anos – já morando em Cianorte, tive o prazer de conhecê-lo melhor, e sabendo de sua história, admirá-lo ainda mais. Soube que havia criado uma extensa prole como comerciante de uma pequena loja de sapatos, na Rua Ipiranga, creio eu: fato é que de seus doze filhos, conforme me disse o amigo Paulo Cesar Braga Fernandes, todos deram certo, estudaram e se colocaram muito bem na vida, como de fato, estão bem colocados até hoje.

Um dia, ele diretor – como gostava de ser chamado – de um escritório de contabilidade de um de seus filhos, fui a uma entrevista em busca de emprego; realizadas as conversas preliminares, me pediu uns documentos e pediu para começar a trabalhar na segunda-feira. Exultante por ser meu primeiro emprego lá estava eu, todo ansioso na segunda-feira, uma hora antes do escritório abrir.

Novamente eu e ele frente a frente,  mandou seu secretário trazer uma porção de notas fiscais e me pediu para contabilizá-las:  – mas não sei contabilidade, disse eu. E e ele, compreensivo e com pena de mim, acredito eu, disse que estava tudo bem e eu iria trabalhar do mesmo jeito em outra função.

Tive o prazer de trabalhar com ele quase dois anos e de lá só saí quando o exército me chamou ao serviço. Era possível conhecê-lo de longe porque com frio ou calor, sol ou chuva foi a única pessoa que conheci que sempre se vestiu com ternos, e quando um dia lhe perguntei o porque ele me respondeu: “sabe meu filho, a primeira vez que usei um terno me senti tão bem que disse para mim mesmo: é isso que vou usar por toda minha vida”, e de fato, assim foi.

Certa feita tentou ser prefeito, mas embora financeiramente resolvido, não era um homem rico, e assim como agora se gastava muito pra se eleger na época, além do que seu vice nem de longe tinha a simpatia dele bem como não ajudou, somando-se ainda o fato que estava enfrentando forças políticas poderosas. Um dia me disse ele “graças a Deus não me elegi”.

As recordações que tenho dele são de um homem bem falante, honestíssimo, probo e muito alegre, que tratava a todos da mesma maneira, independente de posição social. Hoje empresta seu nome ao Estádio Municipal, e a homenagem é justíssima, já que não me recordo de alguém tão dedicado ao esporte e a juventude como ele.

Passou pela vida e deixou saudades, bem como um ótimo legado a quem o conheceu. Hoje, ao lado do Criador, deve ter criado sua equipe de futebol de salão no céu… Assim era ALBINO GABRIEL TURBAY, um homem de bem e um ícone do trabalho e dos esportes e que ainda hoje faz falta, muita falta….Obrigado seu Albino, por ter me aceitado como funcionário, e sobretudo, como amigo… Complementando, sei que ele era Capixaba, acho que de Cachoeiro do Itapemirim ou Colatina , acredito, mas não tenho certeza da cidade, mas nunca vi um homem com tanto amor a Cianorte…”

Albino Turbay, sentado ao lado da esposa. (Foto = acervo da família)

 

 

 

 

 

 

 

Sobre Aida 39 Artigos
Jornalista, com graduação e especialização em Patrimônio Histórico pela UEPG; Guia Especializada pela Embratur; mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC - SP e Técnica em Vestuário pelo CEEP CNE. Experiência em Ensino Superior, assessorias à ONGs, associações de classe e jornal diário. Voluntária em entidades ambientalistas.
error: Conteúdo Protegido