Tacurando: aposta na alegria como “remédio” multifuncional

Bailarina, palhaço, chofer, princesa, odalisca, enfermeira, pirata, o Chapolin, Super Man e centenas de outros personagens… Não é carnaval, nem festa à fantasia. Trata-se do grupo Tacurando que há dez anos tem levado alegria e conforto a pacientes com os mais diversos incômodos, que são tomados por momentos de descontração que justificam o nome da trupe, pois a energia contagiante representa mesmo  que Tacurando. Por trás dessas fantasias, estão profissionais liberais das mais diferentes áreas, como sociólogo, advogado, professor, empresário, pedagoga, esteticista, cabeleireira, policial, estudantes, entre outros. Todos com o intuito de levar algo que ninguém é tão rico, que dele não precise e nem tão pobre que não possa dar: um sorriso.


 

A primeira semente do grupo foi lançada em agosto de 2007 no Hospital Paraná, Maringá/Pr.  Durante uma madrugada fria, uma enfermeira quebrou a rotina que reina no ambiente hospitalar. Ao em vez de medicar o paciente Camillo João Pedro e dar as costas, antes de partir ela colocou uma música e deixou um beijo em sua testa. A cena comoveu o filho que o acompanhava o paciente, Paulo Roberto João Pedro, que presenciou a cena em silêncio e a partir daquele instante teve despertado em si o interesse em desenvolver trabalhos voluntários.

A semente lançada floresceu em dezembro de 2011, na UTI da Santa Casa de Cianorte. Uma criança com necessidade especiais, aos 11 confidenciou a uma enfermeira, que tinha o sonho de ganhar das mãos do Papai Noel uma boneca. E assim, um pequeno grupo reuniu-se para realizar o desejo da garota que após um tempo faleceu.

O mentor do Tacurando, expondo o trabalho baseado na solidariedade e na força da alegria, Paulo Roberto João Pedro

A partir de então, o Tacurando enraizou-se em Cianorte, chegando inclusive em cidades da região. Acima de qualquer interesse pessoal, financeiro, religioso, político ou partidário, o que une os voluntário é o desejo de proporcionar algo em prol da sociedade , seja através de  visitas em hospitais e outras instituições. “Nossa intenção é incentivar a implantação de uma cultura filantrópica, pautada na caridade e altruísmo. Queremos levar  otimismo, conforto, esperança e alegria, resgatando assim a dignidade do ser humano”, resume Paulo Roberto João Pedro, também conhecido como Paulinho. Ele é o rapaz lá do começo da história, que em 2007 regou a semente que nascia em uma madrugada fria no Hospital Paraná.

A missão do Tacurando, espelha-se no pensamento de Madre Teresa de Cacutá, “não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem sentir melhor e mais feliz”.

O grupo realiza visitas a hospitais, creches carentes, clínicas de hemodiálise, Centros de Atenção Psicossocial, asilos, comunidades terapêuticas, entre outras. Também são oferecidas palestras com o tema “A cura através de um sorriso”, com o objetivo de incentivar o trabalho voluntário,  campanha a cada quatro meses para incentivar a doação de sangue e cadastro de doadores de medula óssea e a campanha permanente denominada “Mechas Fraternas”, que arrecada cabelos para confecção de perucas para mulheres em tratamento de câncer.  Mas a agenda do grupo comporta uma série de outras atividades. Confira:

Caravana Tacurando – Realiza visitas domiciliares semanalmente

Tacurando Zen –  Aplica massagens relaxantes semanalmente nos colaboradores do hospital Santa Casa de Cianorte e acompanhantes de pacientes

Passageiros da Alegria – Uma vez por mês Voluntários acompanham o transporte dos alunos da APAE de Cianorte que utilizam ônibus no trajeto entre a residência e a escola

Artesanato – Setor que elabora, cria e confecciona lembranças do Projeto

Pedacinho de Mim – Confecção de bonecas de pano a serem doadas para crianças em tratamento de câncer

Tacurando Fashion Day – Realiza a confecção de roupas adaptadas para pessoas com necessidades especiais com o objetivo de promover a inclusão social através da doação dessas roupas em desfiles de moda programados nas APAE’s da região, focando na importância de elevar a autoestima e valorizar a Vida.

Café com Abraço – Trabalho semanal de distribuição de lanche, café e chá para os usuários do Ciscenop (Consórcio de Saúde)  da região de Cianorte

Tarde de Beleza – Realizado todo 3º domingo do mês na Comunidade Terapêutica “Lar Dom Bosco” de Campo Mourão

Musicoterapia – Visitas hospitalares realizadas por voluntários que utilizam fantasias e instrumentos musicais, como violino, violão, viola e cavaquinho.

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No último Dia das Crianças o grupo foi parar no Batalhão de Polícia de Cianorte e o motivo não poderia ser melhor! Os integrantes partiram do local rumo ao conjunto Aquiles Comar, para juntamente com os  Policiais Militares da 5ª CIPM entregarem  cerca de 350 brinquedos, 1.000 doces e 400 sorvetes arrecadados pelos empresários da Equipe de Mergulho “Biguá”.

 

A professora do curso de Moda da UEM Cianorte, Carol Siq, é uma das dezenas de voluntárias do Tacurando. Formalmente ela participa do Tacurando há um ano, como voluntária. Mas há uns três anos ela já dá sua contribuição, antes de fazer um treinamento que antecipa à entrada oficial ao grupo. O espírito de voluntária que desde criança está enraigado em sua alma encontrou destino certo.  “Encontrar o Tacurando em Cianorte foi alinhar meu propósito de vida com uma causa que tanto me comove e me faz feliz e realizada”, explica Carol. Ela conheceu o grupo através de seu coordenador Paulinho, que é um colega há um bom tempo. “Compartilhamos princípios de vida parecidos e  participar do Tacurando é uma forma de retribuir ao próximo e ao universo tudo que eu recebo na minha vida e do qual sou grata. Também receber enquanto voluntária tudo aquilo que a gente transmite para o próximo.  Há a ideia de que o voluntário é aquele que está doando, mas na verdade nós estamos recebendo e muito com a experiência que nós temos no trabalho voluntariado. O quanto a gente cresce emocionalmente, enquanto pessoa e isso se reflete em muitos campos de nossa vida.” (Foto = Selfie Carol Siq)

 

“Pedro é uma criança extraordinária, demorei um pouquinho pra ganhar a confiança dele mas logo ele ficou bem no meu colo. Ele não me olhava nos olhos mas fazia carinho no meu rosto o tempo todo, se comunicava comigo através do tato. Por ser autista, não consegue ter muito contato visual com as pessoas mas o carinho dele por mim me deixou apaixonada. Foi assim que o Pedro ficou no meu colo, passando a mão no meu rosto e se comunicando comigo de uma forma tão linda que não tem preço! 😍💘 ‘Crianças são como borboletas ao vento, algumas voam rápido, algumas voam pausadamente, mas todas voam do seu melhor jeito, cada uma é diferente, cada uma é linda e cada uma é especial’ ” (Laisa Marinho – Tacurando em Tapejara – Foto = arquivo pessoal)

Nota da Redação = Todas as fotos são do acervo dos integrantes do Tacurando e houve uma grande dificuldade para escolhê-las, pois uma é mais bonita que a outra! Texto = Aida Franco

 

 

 

 

Sobre Aida 39 Artigos
Jornalista, com graduação e especialização em Patrimônio Histórico pela UEPG; Guia Especializada pela Embratur; mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC - SP e Técnica em Vestuário pelo CEEP CNE. Experiência em Ensino Superior, assessorias à ONGs, associações de classe e jornal diário. Voluntária em entidades ambientalistas.
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