Para uns lata velha, para outros é uma paixão: rat look

(Fotos, vídeo e textos, Aida Franco)

Você talvez não saiba, mas há um ditado que diz assim: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”, que refere-se ao que é bonito esteticamente, mas que por dentro não tem valor. O que pode referir-se a um objeto, e o que é pior, a um humano. Mas nesse caso aqui, a história é outra.  Sobre a Kombi das fotos que seguem, poderia dar origem a um novo ditado: “por fora pão embolorado, por dentro tudo requintado!”. É isso mesmo, a Kombi em questão não é apenas uma lata velha rodando pela cidade, ela é um objeto de desejo para os adeptos do estilo “Rat Look” ou ‘aparência de rato’.  Sabe aquelas marcas do tempo e ferrugens  que os donos de automóveis tradicionais abominam? Aqui eles são cultuados e deixam seus donos cada vez mais apaixonados! Inclusive pelo ronco dessas “velhas senhoras”!

Vai dar praia! Não há como  negar, os apetrechos do bagageiro de teto, com violão, engradado de refrigerante e uma prancham, remetem a uma escapada para o litoral, mesmo que estejamos há mais de 600 km da água salgada. Ah, sim. Um giroflex, que funciona por vontade própria, completa o visual.

O cabeleireiro Alessandro Almeida é um dos adeptos do estilo. Ele que capricha no visual dos homens que frequentam seu salão, o Espaço Homem, nas horas de lazer também dedica-se à Geringá. Esse é o nome carinhoso que sua esposa, Karina Padilha,  deu à Kombi 1982, com a qual ele desperta os olhares por onde passa.

 

“O conceito é simplicidade em ser feliz com algo simples e chamativo. Despertei minha  vontade por carros antigos e por consequência pelo estilo”, define Alessandro. Alessandro faz segredo em relação ao valor investido na Geringá, mas quem conhece o mínimo do assunto, sabe que o hobby exige desapego com o dinheiro!

   

E se a Geringá é o xodó de Alessandro e os adeptos do estilo, o carro é objeto de desejo no lavajato, afinal se o próprio Alessandro já a lavou com palha-de-aço, esse é o tipo de cliente que não dá escândalo se o carro aparecer com um risco na lataria.

Alessandro e os colegas, da esquerda para a direita, Diogenes Frigatti e Junior Silva.

Na definição do blog Rabugento Cultura Custom VW, “a pintura não é algo que o dono de um rat se preocupe tanto, por geralmente estar queimada, com lascas e muitas vezes com ferrugem, a controvérsia é um ponto interessante nisto tudo. A pintura queimada e com ferrugem em contraste com um jogo de rodas bem pintado e uma mecânica em perfeito estado é a ideia de controvérsia de que falo. O dono de um rat ao ver um carro pela rua com pintura queimada já imagina logo como ele ficaria com aquele jogo de rodas impecável e bem baixo. Faz parte de nossa filosofia, não importa a aparência, o importante a felicidade que o carro irá nos proporcionar em viajar e encontrar os amigos de verdade”.

NOTA DA REDAÇÃO

Reparem no look dos pés da repórter, ao final da sessão de fotos…

 

Sobre Aida 39 Artigos
Jornalista, com graduação e especialização em Patrimônio Histórico pela UEPG; Guia Especializada pela Embratur; mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC - SP e Técnica em Vestuário pelo CEEP CNE. Experiência em Ensino Superior, assessorias à ONGs, associações de classe e jornal diário. Voluntária em entidades ambientalistas.
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