Juliano Anaconi, o artista da madeira

As postagens em seu Facebook ganham inúmeras curtidas, seja pelo seu senso de humor, mas muito e muito mais pelo seu talento. Os entalhes que ele faz na madeira a cada dia ganham mais admiradores, seja da arte sacra, as temáticas rurais e aquilo que lhe vem à cabeça. Mas como viver de arte ainda é um grande desafio no Brasil, ele empresta seu talento a trabalhos comerciais, que vão desde mobiliário rústico, restauração de móveis antigos ou placas que anunciam um ambiente.

Juliano “intrigado” (Fotos = arquivo pessoal)

Juliano, o Julian para os amigos próximos, é natural do interior de São Paulo, Ribeirão Preto e produz seus trabalhos no distrito de São Lourenço, pertencente à Cianorte (PR). Tem um olhar voltado para as questões sociais em virtude do período em que morava vizinho de uma favela e convivia de perto com a violência típica dos grandes centros. Sua formação católica se consolidou com os três anos que passou no seminário e estudou Filosofia.  Ele, que iria dedicar sua vida ao altar, mudou de rota. Conheceu a esposa que também estudava para a vida religiosa, e ambos formaram uma família.

 

Juliano inspira-se no universo que o rodeia, o meio natural, as pessoas. Seu processo criativo é estimulado o tempo todo e suas referências passam por nomes internacionais, como  Cândido Portinari,  e outros que ele valoriza tanto quanto, como Zequinha de Abreu e Leopoldo Lima.

 

“Eu tinha 17 anos quando conheci o Leopoldo Lima, que era um artista de Ribeirão Preto que fazia quadros de madeira queimados com ferro quente. Eu observava os seus trabalhos e, então, comecei a fazer pequenas esculturas de madeira com lâmina de barbear”, relembra Juliano. As lâminas, em breve, seriam substituídas por um conjunto de formões, os instrumentos que literalmente abririam caminhos para sua arte. “Um amigo viu meu esforço e me presenteou com os formões”, conta Juliano.

Desde a primeira encomenda para, ao guarda-roupas antigo transformado em cristaleira ou o antigo moedor de café transformado em objeto de decoração, tudo exala capricho. Seja o banco que se adapta também como mesa, a encantadora casinha de boneca, tábuas para frios com entalhe especial ou aquele balcão antigo transformado em aparador, os cavacos de madeiras transformados em pássaros ou a imponente águia que voou para outro estado. A criatividade e capricho de Juliano está impregnada por todos os seus trabalhos.

 

Juliano orgulha-se da vida simples do interior e a retrata entre seus posts.

A arte sacra o tem levado para longe, inclusive mereceu destaque especial durante cerimônia com o conhecido Padre Reginaldo Manzotti, em Curitiba, em 2016

 

 

Fotos : Arquivo pessoal

Para conhecer seus trabalho, clique aqui!

 

 

Sobre Aida 39 Artigos
Jornalista, com graduação e especialização em Patrimônio Histórico pela UEPG; Guia Especializada pela Embratur; mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC - SP e Técnica em Vestuário pelo CEEP CNE. Experiência em Ensino Superior, assessorias à ONGs, associações de classe e jornal diário. Voluntária em entidades ambientalistas.
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