Dinei, o morador do viaduto da Goiás

(Texto e fotos: Aida Franco)

Trocando ideias no balcão de um comércio próximo

Seus olhos dançavam entre um azul e o esverdeado, o rosto de pele alva e traços fortes ficavam sob uma barba grisalha. Era alto, magro, com tatuagens em ambos os braços. Poderia ter estampado alguma capa de revista, caso não tivesse passado seus últimos anos de vida em meio ao lixo, comendo restos encontrados nas ruas  ou que alguém lhe doasse.

Seu nome era Claudinei Ferreira Diniz, 49 anos, ou simplesmente Dinei, o andarilho que morava sob o Viaduto Avenida Goiás, por onde passa a linha de trem.  Do alto, os motoristas apressados e pedestres que cruzavam a faixa estreita da passarela, mal observavam que entre o mato e o lixo vivia um humano.  Sua jornada terminou em 27 de janeiro de 2014, quando foi encontrado morto, na Esplanada, provavelmente acometido de um infarto fulminante. Após sua morte, a passagem que ele utilizava como entrada para seu abrigo,  foi cercada e o local ganhou uma placa com o nome de Pontilhão Hercílio Vicente de Souza.

Ninguém sabia dizer ao certo sobre a procedência de Dinei, mas entre uma e outra história era de que foi um bom mecânico na Cidade, que se perdeu  no mundo das drogas. Em suas últimas caminhadas cantarolava ou esbravejava. Para alguns era um pouco mais agressivo e fora flagrado atirando pedras, mas para outros era apenas um humano, em busca de uma mão amiga e que talvez, pela sua ausência, perdeu-se no submundo das drogas.

 

Entrada do local, sempre com algum objeto simbólico

 

Placa da inauguração do viaduto

 

Vista parcial, sob o viaduto

 

O local usado como refúgio, envolto de lixo

 

Uma de suas poucas fotos, talvez as únicas

 

E foi embora, o Dinei

 

 

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